ORIGEM DO CLUBE DE PESCA DE ILHÉUS

por Roberto Miranda

        A relação do ilheense com a pescaria é antiga, Simpáticos, criativos e conversadores os pescadores sempre tem uma boa história para contar, o que não seria diferente para os pescadores ilheenses. Ilhéus, conhecida mundialmente por ambientar romances de Jorge Amado, famoso escritor baiano, é a cidade com o mais extenso litoral entre os municípios da Bahia. É portão de entrada para destinos muito procurados por pescadores e turistas como Itacaré, Barra Grande, Olivença e Canavieiras.
        Sujeitos a sol, chuva, ventos fortes, correntezas, e demais fatores que influenciam na pesca, inicialmente pescadores da região usavam varas de pindaíba e linhas de tucum, já que as linhas de nylon ainda não existiam. Mais tarde, já com o advento do nylon e com a chegada das carretilhas Penn, grupos animados de pescadores iam a Serra Grande, Olivença, Lençóis, entre outras localidades potenciais para a pesca, e na maioria das vezes, as pescarias eram fartas. Naquela época, as nossas praias ainda estavam livres da destruição causada pelos barcos camaroneiros e pelos arrastões que causam danos irreparáveis à lama próxima das praias, onde se desenvolvem os alevinos.
        Dessa época podemos citar alguns ilustres ilheenses pescadores de fim de semana, como Guilherme Bastos, Herval Soledade, Lino Cardoso, Nelson Costa, Augusto Oliveira, Vivaldo Mendonça, Acidálio Mendonça, e David Cárdia - o introdutor dos famosos molinetes Sofi de procedência portuguesa que foram então popularizados na região em virtude de mais fácil manejo e não dar “cabeleiras”. Entre os nossos ilustres pescadores, Herval Soledade era o mais sortudo. Nessa mesma época, Antônio Olímpio, que posteriormente seria um dos idealizadores do clube de pesca, era funcionário público no Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa Antônio Olímpio começou a se entrosar com os pescadores locais, participando de gincanas e se inteirando sobre a pesca esportiva. Já em Ilhéus, Antônio Olímpio começou a influenciar os pescadores, mostrando novos métodos de arremesso, materiais, regulamentos de pesca esportiva, e outros aspectos inovadores para a pesca da região. Com um grupo bem maior e animado de pescadores, entre eles, Wilson Modesto, Hélio França, Milton Assis, Hércio Melo, Ricardo Barbosa, José Lucas, Edival Moura e

Gildásio Almeida Santos, começou-se a discutir a criação de um Clube de Pesca. E em 23 de maio de 1975 foi criado o Clube de Pesca de Ilhéus-CLUPESIL. O grupo começou a participar de gincanas em Aracajú (SE), Marica (RJ), Macaé (RJ), e Niterói (RJ). O primeiro Presidente do CLUPESIL foi José Lucas. E por influência do seu amigo Cláudio do Rio de Janeiro, baluarte da Gincana Fluminense de Pesca, Antônio Olímpio e seus companheiros organizaram em Ilhéus a Primeira Gincana de Pesca da Gabriela.
        Ilhéus recebeu um grande número de pescadores. Os hotéis ficaram lotados, sem ter condições físicas de dar suporte de hospedagem a todos os pescadores que participaram da gincana. A saída encontrada foi a hospedagem de alguns pescadores em casas de amigos.
        Nos anos seguintes o Torneio Gabriela se concretizou como sucesso. Pescadores de todos os cantos do Brasil começaram a participar do torneio, chegando de ônibus de Aracajú (SE), Penedo (RJ), Salvador (BA), Vitória (ES), Macaé (RJ), Niterói (RJ), de outras cidades. Podemos dizer que a Gincana de Pesca da Gabriela, hoje, Torneio de Pesca da Gabriela foi o embrião do movimento turístico de nossa cidade. Por tudo isso, o CLUPESIL recebeu da Câmara de Vereadores de Ilhéus, o título de “Utilidade Pública”.
        A economia de Ilhéus era baseada na cacauicultura.      A lucratividade originada pela produção e exportação de cacau deu origem a peculiaridades no desenvolvimento da Região da Costa do Cacau, região geoestratégica da Bahia.. Em meados da década de 80 a monocultura cacaueira sofreu um rude golpe na sua característica principal que era a de gerar muita riqueza. Outras alternativas foram buscadas para a geração de renda na Região da Costa do Cacau. Como a pesca esportiva sempre foi e continua discriminada, aquele movimento turístico que recebíamos em período de baixa estação, muitas vezes servia de gozação nas rodas de agricultores. Achavam que pescaria era coisa de preguiçoso.
        Hoje, sabemos que a maioria das prefeituras de cidades praianas do sul e Sudeste do País investe pesado na pesca esportiva porque o retorno é certo. Os empresários de nossa região ainda não despertaram para o “filão” que representa o esporte da pesca para o turismo, em período de baixa estação. Mas sempre é tempo de despertar!

   
       
   
     
     
     
   
   
   
   
   
   
   
     
     
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
         
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